O Campus Taguatinga Centro aplicou, na manhã desta segunda-feira, 31, os primeiros questionários socioeconômicos do Programa Mulheres Mil no Distrito Federal. Professores e técnicos administrativos saíram da escola e foram até o local de trabalho das futuras estudantes do IFB: o lixão da Estrutural. Neste primeiro dia, cerca de 30 mulheres fizeram suas inscrições para os cursos a serem oferecidos.

Diretora do Campus Taguatinga Centro, Bibiani Borges, em entrevista com a catadora Lourdes Moreira
Para não retirar as trabalhadoras de seus locais de trabalho e impedir a realização de suas tarefas, os servidores deslocaram-se para esses espaços. Apesar das dificuldades de acesso – o barro impede a entrada de veículos – foi possível inscrever 30 mulheres. Nesta terça-feira as inscrições devem ser feitas em outros locais, como cooperativas de catadores.
Expectativas criadas
Para a catadora Lourdes Moreira, 45 anos, o IFB cria a expectativa de se mudar de vida. Ela afirma que pretende se inscrever, conhecer melhor a escola e quais cursos poderão ser feitos, e só então decidir se vai mesmo se profissionalizar. Assim como Lourdes, muitas mulheres ainda desconfiam do projeto, mas mostram expectativas.
Algumas querem estudar para continuar trabalhando com as cooperativas de catadoras; outras dizem que pretendem – tendo oportunidade – trocar de emprego. Danielle Pereira lembra que as condições de trabalho no lixão são ruins e que é necessário criar usinas de reciclagem, onde essas trabalhadoras possam exercer suas atividades de forma adequada.

Professora do Campus Taguatinga Centro e catadora durante aplicação do questionário
Cursos
O Campus Taguatinga Centro do IFB vai ofertar, em 2012, 100 vagas para o Programa Mulheres Mil. Os cursos a serem oferecidos só serão definidos após uma análise socioeconômica das atendidas, e a escolha será feita em acordo com as futuras alunas. Locais das aulas e horários também serão negociados com as estudantes, visto que todas trabalham durante o dia, e muitas cuidam da família no período noturno.
As capacitações têm como objetivo principal melhorar a renda das mulheres, além de dar a elas maior autonomia. Muitas dessas trabalhadoras são chefes de família. A melhoria das condições de vida delas leva, por consequência, a mudanças em seus grupos familiares e na comunidade.







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