Ainda são poucos os cursos que capacitam modelos no DF, mas eles servem como um passo inicial para quem quer seguir a carreira. Saber interpretação e falar outro idioma são características desejáveis
| Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press |
| As jovens Thaise (E) e Naila desfilam e atuam em campanhas comerciais |
Apesar de a profissão não ser regulamentada, para exercê-la é importante ter registro profissional. As principais semanas de moda do país e do mundo exigem a apresentação do documento, que, no Distrito Federal, é concedido pelo Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão (Sated) — o profissional participa de uma entrevista e deve levar a Carteira de Trabalho (CTPS), cópias do RG e do CPF e um comprovante de residência. Após a avaliação do sindicato, o modelo recebe um atestado de capacitação profissional, que deve ser levado à Delegacia Regional do Trabalho. Naila Junqueira, 25 anos, por exemplo, só descobriu que poderia requerer o registro quando decidiu retomar a carreira, aos 20. Ela já havia feito alguns trabalhos quando criança, mas só depois de adulta voltou a desfilar. Ela é modelo de passarela e atua em comerciais.
Não existe um piso salarial definido para quem atua como modelo. A remuneração é estabelecida, em geral, por tipo de trabalho e por quantidade de exposição que a imagem do profissional terá. Se a campanha for veiculada em televisão ou publicações de grande circulação, a mão de obra se valoriza. Diretores de agências entrevistados pelo Correio estimam que o cachê para quem está começando é de R$ 100 ou R$ 200 por jornada diária.
Para que esses valores sejam mais altos, a pessoa que deseja se firmar no mundo da moda precisa investir muito em formação. Para isso, o primeiro curso a ser feito é o básico de modelo, no qual é possível aprender a andar na passarela e a maquiar-se. Algumas agências oferecem essas aulas a qualquer pessoa que queira se matricular. É o caso da brasiliense Scouting. “O Procon (Instituto de Defesa do Consumidor) não me permite selecionar quem vai fazer o curso ou não porque se trata de um produto. Por isso, o básico é aberto a todos. Depois dele é que fazemos a triagem de quem tem perfil para se tornar modelo”, explica a diretora da empresa, Marina Sakamoto.
Há agências, no entanto, que ministram o curso apenas a quem já foi integrado ao grupo de modelos cadastrados, o casting. O diretor da também brasiliense Win Models, Alê Albuquerque, explica que prefere dar prioridade a quem tem potencial para se tornar profissional porque pode ensinar mais detidamente ao iniciante. “Se eu abro o curso para uma turma grande, não consigo aprofundar tanto as orientações. Sem falar que posso estar dando falsa esperança a quem não tem o perfil para modelar.”
Albuquerque diz que, no DF, ainda não há a preocupação em se capacitar para a profissão. Segundo ele, no caso de modelos fashion (que desfilam em passarela), costuma-se pensar que basta montar um book fotográfico para conseguir um trabalho. “Aqui, o pessoal ainda reluta em fazer cursos”, pondera. De acordo com o empresário, muitos modelos da capital mantêm a profissão apenas como hobby. Um dos motivos seria a estabilidade profissional que o serviço público proporciona: “Algumas modelos têm a família com a vida estabilizada por causa do serviço público. Isso faz com que não queiram se dedicar tanto quanto a profissão exige”.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial no Distrito Federal (Senac-DF) chegou a oferecer o curso de modelo de passarela, mas, há mais de 10 anos, suspendeu a capacitação. Uma das causas para o cancelamento das turmas é que o Senac foca na preparação de profissionais para o setor de comércio e serviços. E, no entendimento do órgão, o modelo profissional não atende a esse mercado.
Além da capacitação ainda incipiente nessa área, uma queixa comum do meio fashion no DF é quanto à escassez de eventos de moda. Brasília só tem duas edições do gênero por ano, o ParkFashion e o Capital Fashion. Isso faz com que a oferta de vagas para modelos de passarela seja bem restrita. Em compensação, o mercado para modelos comerciais está em franca expansão. Campanhas institucionais e publicitárias são as que mais absorvem esse tipo de mão de obra.
Para conquistar bons trabalhos e cachês nesse nicho, é interessante fazer cursos de interpretação e expressão corporal. Saber a feição adequada para cada situação que se pretende representar é fundamental para que a fotografia ou o vídeo transmita a informação desejada. “Quanto mais a pessoa conhecer seu corpo, mais expressiva ela é e melhor seu desempenho na carreira”, diz o diretor da Mega Models, Nivaldo Oliveira, que destaca: não raro, modelos acabam querendo virar atores. “Para isso, investem em cursos de teatro”, diz o empresário.
Outro ramo que oferece muitas vagas é o de recepção em eventos de empresas e órgão públicos. Há quem rejeite esses trabalhos por oferecerem muita visibilidade ao modelo. A atual Miss Riacho Fundo, Thaise Ariane, 24 anos, discorda desse posicionamento. Para ela, a recepção é uma boa forma de conquistar novos trabalhos. “Serve para estabelecer contatos profissionais”, diz a jovem, que é modelo de passarela e de comerciais.
Comunique-se
Aqueles que sonham com as passarelas de Milão, Paris ou Nova York devem aprender, pelo menos, a língua inglesa. Os diretores das agências são categóricos: modelo que não se comunica em outro idioma perde espaço no mercado internacional. Segundo Marina Sakamoto, o modelo precisa saber lidar com o cliente. “Ele deve conhecer o conceito da campanha e saber o que o cliente quer que seja realçado”, diz. Já Alê Albuquerque explica que, assim que percebe que a modelo tem seriedade e comprometimento com o trabalho, a aconselha a entrar em um curso de línguas. “Ela não pode chegar a outro país sem conseguir se comunicar”, afirma.
A modelo Ana Cláudia Cartore, 22 anos, percebeu o quanto é importante saber pelo menos o básico da língua de quem contrata. Ela já trabalhou nas Filipinas, na Malásia, em Cingapura e na China e diz que se esforçava para saber pelo menos se apresentar ao cliente no idioma local. “Faz toda a diferença cumprimentar quem vai te fotografar, por exemplo, na língua do país. As pessoas abrem um sorriso e te respeitam mais”, acredita.
Fonte:Correios Braziliense







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