Wilson Silvestre, Jornal Opção
A disputa pela Prefeitura de Valparaíso tende a ser uma das mais acirradas no Entorno do Distrito Federal. Por ser um município próspero e em franco desenvolvimento econômico, amparado, sobretudo, por um mercado de consumo de uma classe média emergente, a prefeitura desperta o interesse de variados grupos que militam na política local. As duas candidaturas que mais despertam paixões e polêmicas são as da prefeita Lêda Borges (PSDB), tida como gestora durona e muito franca — talvez por isso amargue um alto índice de rejeição —, e a professora Lucimar Nascimento (PT), anabolizada politicamente pelo PT do Distrito Federal.
“A prefeita trabalha em duas frentes: uma política e outra administrativa. Neste momento, a prioridade é a recuperação de ruas e a retomada do programa de asfalto nos bairros, paralisado por causa das chuvas, causando transtornos e muitas críticas à gestão municipal. Paralelamente, as conversas políticas estão bem adiantadas”, disse o secretário de Saúde do município, Francisco Carvalho. Ele conta que os 14 partidos que estão na administração de Valparaíso não manifestaram nenhum descontentamento nem ensaiaram qualquer desistência. “Toda quinta-feira fazemos reuniões individualmente ou coletivas e discutimos a aliança, escolha de candidatos a vereadores e os critérios a serem adotados para o consenso do nome que será o vice.” Francisco elenca que um dos principais quesitos é estar liderando as pesquisas. Questionado sobre especulações de que o PSB já teria acertado com Lêda um nome socialista para ser o vice, Francisco é categórico: “Não existe este acordo. Vamos indicar o nome que melhor se apresentar junto ao eleitor”.
Esta cautela de Francisco em não melindrar nenhum possível pretendente ao cargo está focada na estratégia de que, em 2014, o PSDB deve lançar o prefeito de Luziânia, Célio Silveira (PSDB), como candidato a deputado federal. Por isso, as alianças que estão sendo firmadas agora servirão de apoio a este projeto. “Somos muito cobrados por não termos um deputado federal genuinamente do Entorno”, resume um auxiliar de Francisco.
Quanto à professora Lucimar, mesmo contando com o apoio de lideranças do PT do Distrito Federal e de Goiás, ainda não conseguiu arregimentar ou atrair partidos que estão na base de Lêda. “Lucimar está fazendo um trabalho discreto, porém consistente na consolidação de sua base de apoio”, garante um destes aliados próximos que ainda mantém vínculos com o projeto de Lêda.
O PT de Goiás, liderado pelo deputado federal Rubens Otoni, intensifica a presença no Entorno focando sua estratégia, principalmente, em duas cidades: Luziânia e Valparaíso, ambas sob domínio do tucano Célio Silveira. Recentemente, Otoni amarrou um acordo com o PMDB para diminuir a força do governador Marconi Perillo na região. “O PSDB tem um trabalho consistente nestas cidades e dificilmente nossos adversários vão conseguir desconstruí-lo. Basta observar o desenvolvimento econômico e social que estas cidades conquistaram sob a gestão tucana”, assegura a secretária extraordinária do Entorno, Edna Santos. Ela afirma que o partido está preparado para esta avaliação do eleitor em outubro.
Adolfo Lopes “espeta” os adversários
Mantendo sua rotina de articulações, o vice-prefeito de Valparaíso e pré-candidato à cadeira de Lêda Borges, Adolfo Lopes (PMN), não perde tempo em “espetar” adversários. Em todas as entrevistas reafirma sua convicção de que “o povo sabe quem realmente pode tirar Valparaíso do atoleiro administrativo em que se encontra”. Para ele, as pesquisas neste momento só indicam a intenção do voto. “Quando a Justiça eleitoral liberar a campanha, vamos colocar nossas ideias para o julgamento da população e tenho certeza, haverá surpresas.”
Adolfo acrescenta que já está habituado ao desdém de adversários a sua candidatura. “Não tenho os recursos da máquina pública nem empresários poderosos me apoiando, mas isto não é desvantagem, pelo contrário, os pequenos e médios empreendedores de Valparaíso, que ficaram à margem das políticas públicas do município, já estão conversando comigo, querendo saber quais são minhas propostas. Isto é um bom sinal.” Adolfo, no entanto, não descarta nenhuma conversa com outras siglas: “Desde que venha para somar ao nosso projeto”.
Adolfo lembra que a disputa política é um jogo e neste momento que antecede a partida, os técnicos dos times fazem provocações, ironias e até piadas sobre o adversário. “Embora eu não seja afeito a ironias, mesmo assim, desejo aos meus adversários políticos muita saúde e fôlego para acompanhar minha caminhada rumo à vitória.”







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